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domingo, 29 de janeiro de 2012

Porque Paulo Coelho está na página principal do maior site de Torrent ?


O brasileiro Paulo Coelho não tem qualquer problema em ver seus livros serem pirateados e frequentemente disponibiliza links para suas obras em sites de compartilhamento de arquivos. Quando descobriu que o Pirate Bay estava promovendo artistas que gostavam de ter suas obras no maior site de torrents do mundo, ele gostou da ideia. E hoje, em vez do famoso barco pirata, há uma foto de Paulo Coelho, que leva para o seu blog. Lá ele explica:

Assim que descobri o que o Pirate Bay estava promovendo, decidi participar. Vários dos meus livros estão lá, e como disse no meu post anterior, O que penso do SOPA, as vendas físicas dos meus livros estão crescendo desde que meus leitores começaram a postá-los nos sites P2P. Você está convidado a baixá-los de graça e, se gostar deles, compre uma cópia física — esta é a maneira que temos de dizer à indústria que ganância não leva a nada.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Se você estava preocupado com SOPA e PIPA, conheça o ACTA, o acordo internacional que prometa censurar ainda mais a internet.

 Recentemente os projetos de lei antipirataria SOPA e PIPA, que dariam a criadores de conteúdo um poder absurdo sobre a internet, entraram na pauta do mundo inteiro depois que diversos sites fizeram blecautes em protesto. Porém, uma ameaça mais insidiosa está se espalhando, de maneira menos barulhenta: é o ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), que quer implementar propostas semelhantes às da SOPA e PIPA no mundo inteiro.

Foi legal ver o mundo inteiro se juntar à luta do pessoal dos EUA contra uma lei que tinha várias propostas muito erradas. Mas no fim das contas a SOPA e PIPA, mesmo podendo afetar sites de todo o mundo, eram leis americanas. Ninguém teria direito a usar tais leis fora dos EUA, fora da jurisdição americana.



O ACTA, no entanto, é um acordo internacional: ele estipula duras regras sobre direitos autorais, e se preocupa apenas com os detentores de copyright, cujos abusos não serão coibidos. Há pouco que usuários e consumidores podem fazer contra ele, e não só na internet: o foco do ACTA é a pirataria digital, mas cobre também a pirataria física.

Em seu ponto mais polêmico, o ACTA explica o que provedores de acesso e a polícia devem fazer para “prevenir” e impedir a pirataria, envolvendo até mesmo desconexão forçada de quem piratear pela terceira vez. Isto, obviamente, significa que seu provedor teria que monitorar tudo o que você faz na internet. Lá se vão a privacidade e a liberdade na rede.

Os EUA vêm discutindo o ACTA com outros países em segredo, a portas fechadas, desde pelo menos 2007, sem qualquer envolvimento de organizações civis – elas só puderam ver o texto finalizado. (Antes disso, no entanto, documentos do ACTA vazaram mais de uma vez.) Diversos países já assinaram o acordo: Canadá, Coreia do Sul, Japão, Marrocos, Cingapura, Austrália, Nova Zelândia e, claro, os EUA. O México e países da União Europeia também poderão ser signatários até 2013.

Esta semana, a Polônia prometeu entrar no ACTA, o que motivou protestos nas ruas contra a medida: manifestantes com adesivos tapando a boca, máscaras de Anonymous e cartazes protestavam em frente a um escritório da UE. Além disso, desde domingo alguns sites locais saíram do ar depois de serem hackeados. Mesmo assim, a Polônia assinou o ACTA, tornando-se o primeiro país da UE a fazê-lo. A medida ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento e pelo presidente.




Os EUA querem empurrar o ACTA para outros países, oferecendo em troca vantagens comerciais, mas o Brasil já avisou: não vai fazer parte. É o que Kenneth Félix Haczynski, chefe da Divisão de Propriedade Intelectual do Itamaraty, disse ao Estadão. E mais: “os Brics não participaram [da discussão do Acta], assim como nenhum país sul-americano”. Ou seja, grandes países como Rússia, Índia, China e toda a América do Sul estão fora. Infelizmente, isso não quer dizer que o Brasil ficará livre das pressões pró-ACTA.

Você pode encontrar mais informações sobre o ACTA no vídeo acima (com legendas em português), nesta reportagem do Estadão e no site www.stopacta.info. Comprometer liberdades civis para combater a pirataria de forma antidemocrática é algo que não podemos aceitar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fim do MegaUpload??

O fim do MegaUpload pode ser visto como uma nuvem negra que pode predizer uma tempestade terrível na internet — culpa do timing com o SOPA e o PIPA em alta. Mas o fechamento de um dos maiores sites de compartilhamento do mundo não acabou só com arquivos: ele acabou com um comércio estabelecido de venda de contas premiums do sistema.

A prova está no Mercado Livre: são mais de 100 resultados para MegaUpload e tirando uma camiseta bem feia (mas que pode fazer sucesso agora), todos os outros anúncios envolvem a venda de contas premium para o MegaUpload. Claro, você poderia fazer isso diretamente pelo site — e temos dó de quem fez e agora acompanha o fim do serviço — mas era preciso burocracias de cartão de crédito que nem todos tem. É o mesmo processo feito para venda de iTunes Gift Cards e Microsoft Points, só que especial para downloads sem limite de velocidade, sem captcha e sem aqueles malditos minutos de espera.

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