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terça-feira, 6 de março de 2012

Use o Glasnost para testar se seu provedor limita velocidade de download

Alguns provedores de internet usam uma prática chamada traffic shaping, que reduz a velocidade de download de certos conteúdos, como vídeos online e torrents, para garantir o desempenho da rede para todos os clientes. Só que isso pode prejudicar alguns usuários, e a restrição sobre certos conteúdos não é prevista por contrato e viola a neutralidade na rede. Mas como saber se seu provedor faz traffic shaping?

Você pode usar o teste Glasnost. O teste usa um applet em Java para comparar a velocidade à qual certos conteúdos são baixados no seu computador. Você pode testar a velocidade de torrents, protocolos P2P, vídeos em Flash e vários outros. Mas lembre-se antes de interromper downloads pesados que estejam rodando, e use o teste em vários períodos para um resultado mais confiável – já que provedores podem fazer traffic shaping apenas durante algumas horas do dia, nos horários de pico.

O teste Glasnost não é novo (existe pelo menos desde 2008), mas sempre é uma boa dica. Se você descobrir que seu provedor faz traffic shaping, há algumas coisas que você pode fazer: ativar acriptografia de tráfego no seu cliente de torrents, usar uma conexão VPN, reclamar com o provedor ou em sites como o Reclame Aqui (o que às vezes dá certo) ou mudar de provedor (o que nem sempre é possível ou viável). 

Operadoras querem cobrar "pedágio" na internet

Enquanto as operadoras no mundo inteiro gastam bilhões em suas redes para aguentar a demanda crescente, grandes empresas – como o Google – lucram sem contribuir para a infraestrutura da internet. É o que dizem as operadoras, e elas estão insatisfeitas: “alguém tem de pagar por isso”, disse o presidente da operadora indiana Airtel. Ele não está sozinho: operadoras brasileiras partilham da mesma ideia. Mas quem vai pagar? Não é só você.

Até então, as propostas sempre afetavam diretamente o consumidor: impor cotas de dados ou de velocidade, ou praticar o famigerado traffic shaping – cortando a velocidade de certos conteúdos, como YouTube ou torrents. Elas não deixaram de fazer isso – veja aqui se seu provedor faz traffic shaping – e talvez queiram cobrar a mais de você. “O desafio é fazer [o consumidor] entender que se você quer maior qualidade, velocidade mais alta, você paga mais por isso”, disse Jo Lunde, presidente da russa VimpelCom, no Mobile World Congress.

Mas impor limites aos consumidores não é o bastante: agora, as operadoras querem cobrar de grandes provedores de conteúdo, como o Google. “Se nós vamos construir as estradas, é preciso haver pedágios”, disse Sunil Bharti Mittal, presidente da indiana Airtel, também no MWC.

Ele diz que o YouTube “está consumindo uma quantidade massiva de recursos” e propõe que o site pague uma “tarifa de interconexão” às operadoras, assim como se paga uma taxa de interconexão em chamadas de fixo para móvel. Mittal diz que as operadoras gastam bilhões para comprar frequências e operar a rede, mas “a indústria precisa reequilibrar esta divisão” de gastos – empresas como Google e Apple precisam pagar também.

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